Finalmente chegou a Bangu o empresário Eike Batista, o ex-homem mais rico do Brasil, aquele que mesclou glamour com eficiência nos negócios, que vislumbrara transformar-se no homem mais rico do mundo, depois de criar centenas de empresas X para através delas buscar e obter generosos favores do Estado.

Tais favores, segundo investigações reveladas pela imprensa e vazadas de numerosos inquéritos da Polícia Federal incluíram liberações de fartos recursos pelo BNDES durante os últimos governos, de licenciamentos ambientais em vários estados onde atuaram suas mineradoras, seus minério-dutos, seus portos e embarcações, quase tudo sem os lastros e o rigor necessários, usualmente exigidos quando os pretendentes eram outros mortais.

Eike, o que tudo podia e tudo realizava, está agora recolhido e a expectativa é a de que em Bangu permaneça no convívio com diletos amigos mas também com os comuns, agora elevados à condição de seus parceiros.

A Justiça do Brasil de hoje está buscando se apresentar com uma outra face, tem braços de maior alcance e não tem se intimidado pelo poder econômico ou político de seus alvos. A sociedade tem batido palmas para saldar essas ações do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, ultimamente apresentadas sob as luzes dos melhores holofotes.

Óbvio que há muito de exploração midiática desses degradantes episódios; as redes de TV e as mídias sociais sempre buscam o show, o melhor ângulo para revelar as imagens de fracasso do preso e o sucesso de quem determinou sua detenção, mas algumas coisas beiram o deboche.

Ninguém em sã consciência se alegra com esse desfecho, o da prisão de um homem que foi ícone como Eike Batista; melhor se ela não tivesse, claro. Muito melhor ainda teria sido se Eike não se tivesse metido na farta e danosa distribuição de propinas pagas religiosamente para ter êxito nas suas demandas.

Sendo provado o que vazou, Eike exagerou no fazer errado. Já julgado e devidamente condenado pela opinião pública, ainda que ninguém levantasse nesse momento os danos de suas travessuras empresariais, sua quebra, seu cano no BNDES, em tributos, dos seus empregados demitidos e muitos ainda desempregados, Eike vai agora amargar o peso de sua arrogância.

Abstraídos do que parece ser um novo e histórico momento para o país, curiosamente, nas mesas de bar, nos salões de beleza, nas salas de espera, nos elevadores uma pergunta não quer calar: Eike usava ou não peruca?

(Luiz Tito -  jornal O TEMPO, pág 2 em 31.Janeiro.2017)