Ainda que a semana tenha sido finalizada com a trágica morte do Ministro Teori Zavascki e suas repercussões, os fatos que ganharam maior dimensão na imprensa, na sociedade e como preocupação dos governos foi a continuidade das mortes ocorridas no sistema penitenciário brasileiro, de mais de uma centena de detentos, em razão de disputas de quadrilhas conhecidas e que comandam o tráfico de drogas no Brasil.

As reações, como já dito, foram as mais disparatadas, desde loas aos bandidos assassinos, que na simplista visão de muitos estariam “ajudando” em antecipar aquilo que o Estado deveria fazer, isso é, liquidar traficantes mesmo sem a tutela da lei, já que não temos a pena de morte, ou manifestações pontuais de defensores dos direitos humanos, que insistem em acreditar na recuperação de criminosos de ampla folha corrida, na qual se descreve todo o Código Penal.

São delinquentes que matam por matar, matam porque gostam quem tiver a infelicidade de lhes cortar o caminho. Os números de delitos que ocorrem diariamente no Brasil são escandalosos e alarmantes.

Em uma de suas falas na tribuna d o Senado, certa vez o gaúcho Pedro Simon defendeu que diante do historicamente mal sucedido combate que a polícia brasileira, em todos os níveis, registra em relação ao tráfico de drogas, que transformássemos em educação e em saúde a fortuna que se gasta do orçamento nacional em investigação, repressão e prisão dessa  bandidagem.

Muitos reagiram e continuarão reagindo a essa posição, a de descriminalização da venda de droga, porque acreditam que estaremos agravando o que já é muitíssimo grave.

A droga é responsável no Brasil, direta ou indiretamente, por quase 80% dos nossos encarcerados; a droga corrompe, elege políticos, mata, amedronta, ameaça e desconstrói.

O Estado faz o que diz que pode fazer mas ela está nas esquinas, nas es colas, nas comunidades, no Congresso Nacional, nas delegacias de polícia, no bolso e no desejo de adultos e adolescentes que os pais não enxergam ou não conseguem reprimir.

Usam-na adultos porque querem e adolescentes porque a ela são levados, pela deseducação, pelo desleixo das famílias ou pelas razões de cada um. Hipocrisia não ver que ela está em expressivo número de famílias.

A droga, o álcool que também é uma forma de se drogar, com comprometimentos tão graves quanto as drogas ilícitas. O vício já avançou sem limites porque o tráfico é irrefreável. É um equívoco sacrificamos recursos que poderíamos usar na boa formação daqueles que, por não tê-la, acabam encontrando nas facilidades que o crime remunera, um caminho e uma forma de sobreviver.

Com a legislação e o Judiciário inerte que temos, com o atraso operacional de nossas polícias e uma educação ineficiente nos seus processos e no seu alcance,  vamos continuar pagando caro e enxugando gelo. E a cada dia piores.

Luiz Tito - Jornal O Tempo